Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Saudades

Ontem estive o dia todo com saudades tuas. Do teu sorriso matreiro, dos teus olhinhos de criança, das tuas mãos ásperas, do teu cheiro a farelo e da palavra sempre sábia. Tive saudades das tardes passadas a brincar, das partidas que preparávamos, com uma cumplicidade que nunca irei esquecer.
Chorei. Não por ti. Sei que estás bem, sei que estás num sítio melhor. Chorei, egoistamente, por mim. Por saber que não estás a ver tudo o que estou a fazer. Porque sei que terias tanto orgulho em mim. Estou a tornar-me na mulher que sei que sempre sonhaste que fosse. Estou a ler, a ler muito, muitos dos livros que me deixaste. Prester a formar-me em algo que sei que adoravas.
Sei que a saudade nunca vai passar. Sei, perfeitamente, que nunca irá passar. Quem diz o contrário não faz a mínima ideia do que é uma dor destas. Mas vou lutando. Mas à medida que aquele dia vai chegando o meu coração começa a apertar. Cada vez mais.
E choro.

3 legitimações:

Ilídia disse...

Lindo texto, minha querida. No outro dia, a ver um documentário sobre os carros de bois e a vida dura dos homens do campo (que aconselho vivamente - se quiseres ver, deixo o link: http://vimeo.com/30588225), chorei baba e ranho pelo meu avô que morreu há 10 anos. Alivia, não é? Um beijo grande- Tenho a certeza de que o teu avô está muito orgulhoso de ti.

Denise Almeida disse...

Obrigada :)
Há coisas que são verdadeiros "triggers". No dia 25 de Novembro faz 7 anos que o meu morreu. Mas continua a parecer como se fosse ontem. Espero que esteja. Tenho a certeza que o teu também está, muito.
Beijinhos

mfc disse...

Morremos sempre um pouco, quando os nossos partem!