Escrevo estas linhas tendo em mente um assunto que tem mexido comigo estes dias. Há alguns anos a esta parte que por esta altura surge um tumulto pelas escolas do país: saem os Rankings. Palavra temida por uns, adorada por outros. E é nesta altura que se coloca sempre a questão: qual a razão de serem as escolas privadas a liderarem sempre as tabelas? Na minha opinião só vejo uma resposta: melhor preparação. Não percebo o ataque que é feito a estas escolas. Os exames nacionais são iguais. Não é possível comprar a nota de um exame nacional. Então, a única resposta possível é de que os alunos estão melhor preparados. É também importante mencionar os critérios de elaboração destes Rankings, que para mim são ligeiramente duvidosos. Uma escola não é só exames, e muito menos só exames de 11º ano. Foram feitas alterações no sistema educativo, os exames foram divididos em três anos, assim, os Rankings também terão de se actualizar. É completamente injusto avaliar o trabalho de uma escola através do resultado de um exame de duas horas. Existe toda uma preparação durante 11/12 anos, que tem de ser tida em conta. Nesse ponto, os Açores já estão um passo à frente que o resto do país, com a boa aplicação do Projecto Qualis.
Com isto não quero dizer que discorde dos Rankings. Concordo plenamente que sejam feitos, mas com correcção, rigor e critérios que abordem todas as áreas relevantes para o sucesso dos alunos. É essencial olharmos para esses resultados e questionarmo-nos sobre o que levou àquilo e se for mau, como melhorar. Também, acho importante uma comparação entre diferentes estabelecimentos, mas nunca num sentido de competitividade. Concordo que nos devamos comparar com os melhores, ver o que eles têm que nós não temos, e assim, só assim, melhorar.
Denise S. Almeida
*publicado nos jornais "Açoriano Oriental" e "Diário Insular" de 30/10/2007