Vivemos num tempo em que tudo é pago. Em que cada individuo vive fechado na sua redoma, ignorando tudo e todos à sua volta. Num tempo em que a lei do mais forte está cada vez mais presente, e em que o dinheiro significa tudo. Mas, felizmente, existem excepções à regra. Existem casos em que as pessoas estão dispostas a dar o seu tempo e esforço sem nada em troca e posso orgulhar-me de fazer parte desse grupo de pessoas. Estou a referir-me ao voluntariado, obviamente, mas não de um voluntariado qualquer: o voluntariado literário.
O voluntariado literário é uma actividade desenvolvida por milhares de pessoas de todo o mundo que passa pela verificação de textos digitalizados de obras originais, através do processo de digitalização em OCR (passagem de imagens para texto). Como é natural poderão existir algumas gralhas, e é aqui que entra o voluntário literário.
À primeira vista esta actividade poderá ser insignificante e inútil, mas basta vermos a sua influência global, para percebermos a sua importância. Todas as obras verificadas pelos voluntários literários irão fazer parte dos arquivos do Projecto Gutenberg, um projecto com milhares de livros completos acessíveis a toda a gente, de forma completamente gratuita.
Para muitas pessoas isto não significa nada, até para os nossos governantes. Vivemos numa sociedade em que, infelizmente, o acesso livre à cultura tem pouca importância. É óbvio que o acesso ao Magalhães é mais importante do que ler um livro, tendo em conta a propaganda feita a este computador em comparação ao Plano Nacional de Leitura. Esta situação é apenas mais uma prova de como o nosso ensino não é gratuito e universal, mas sim caro e elitista.
A meu ver, o apoio por parte do Governo nacional e regional a este tipo de projectos seria importantíssimo para a diminuição do fosso entre os estudantes mais e menos carenciados. No entanto, até esse dia chegar, resta-me fazer a minha parte e incentivar outros a que façam a sua.
Para mais informações consulte:
in Expresso das Nove
17/04/2009